quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Por que tanta hipocrisia?


Por Peter Sana

            Por que somos tão atraídos pela hipocrisia? Por que temos tendência a agir de forma tão indesejável longe dos que nos fiscalizam? Será que estamos totalmente restritos à fiscalização, e será que não há nenhum erro na construção da sociedade então? Pois não consigo imaginar como se chegou nesse ponto! Talvez colocar a culpa no "primeiro de todos" não seja suficiente para provar como aconteceu o desvirtuar-se da humanidade. Estou profundamente encabulado com o efeito que a cultura da má política causa nas pessoas mantidas na caverna escura da ignorância. É incrível a imobilidade social, pois não há sequer descontentamento vigoroso. No máximo especulações medonhas de sofridos homens de pés descalços e mãos com calos de tanto produzir riquezas para os terríveis dinossauros carnívoros (T-Rex) da sociedade.
            Desta vez, o que se fala da política é que vai virar uma bagunça, vão colocar os gays todos na igreja para realizarem o casamento, e os padres, pastores, chefes de religião, e mais o que seja terão de realizar o procedimento religioso. Enfim, o aborto vai ser permitido, aí vai acontecer um reboliço no Brasil. Não haverá mais respeito nem "ordem". Ora bolas! Onde é que se existiu respeito aqui? O aborto já é permitido. Me desculpem! Não é permitido para todos, e sim para as pessoas que podem pagar uma clínica clandestina ou sair do país para realizá-lo. Apenas os miseráveis precisam tomar chá de maconha para expulsar o que fora um acidente. Onde está a liberdade de escolher o que é melhor para si? Onde está a educação que não sobe as favelas como a polícia vem subindo para matar? Se a educação é o que liberta, por que não deixamos este povo livre dando educação? Kant fala sobre a maioridade a partir do pensamento e do raciocínio próprio, da sistematização sem influência direta e definitiva de outrém, mas será que há adultos no nosso país capazes de decidir o melhor? Há? Vejo simplesmente pessoas decidindo pela alienante certeza de que uma vida padronizada nesta terra que jaz maligno, com regras escritas nos manuais sagrados de religião, será suficiente para garantir riquezas e felicidade numa posteridade. Como assim? E largamos tudo aqui? Vamos pensar em política para a perpetuação da ignorância de grupos religiosos que tentam a hegemonia mundial e dominação das mentes menos esclarecidas? O que há de errado com os homosexuais? O que há de errado com as mulheres? O que há de errado com os que não são brancos nem europeizados? O que há de errado com manter o Estado laico? Se é que deveria haver Estado. Mas então voltamos ao dilema anterior: para fiscalizar as pessoas, colocamos outras pessoas, que julgamos especialistas nesta virtude de fazer o que é justo. Mas na verdade, deveríamos ser todos justos, todos pensantes, todos peritos em nossas propostas de vida, que apesar de deturpadas pela influência do sócio-cultural, são a nossa essência.